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September 17, 2006

As Entradas e Saídas da Gestão de Risco

Filed under: Riscos - Cap. 11 — pmiproject @ 2:28 pm

© 2004 Dr David Hillson PMP FAPM david@risk-doctor.com

O termo “GIGO” é famoso internacionalmente como abreviatura para a frase “Garbage In Garbage Out” que em Português quer dizer “Entra lixo, sai lixo.” O termo tem a sua origem na indústria das tecnologias de informação onde descreve o fato de os resultados produzidos por um sistema informático só poderem ser tão bons quanto a qualidade dos dados que são entrados no sistema.

Mesmo o melhor programa de software não consegue, a partir de em informação sem qualquer significado, produzir conclusões válidas. Claro, o fenômeno GIGO tem uma aplicação muito abrangente, não estando limitado aos sistemas informáticos. A integridade dos resultados produzidos por qualquer sistema ou processo depende da integridade dos dados entrados nesse sistema ou processo, a única exceção possível sendo a mente humana, a qual parece ser capaz de criar ordem a partir do caos, através da aplicação do raciocínio e da inteligência (pelo menos às vezes!). O fenômeno GIGO aplica-se inequivocamente aos processos de gestão de risco.

Uma variante recente do GIGO lê-se “Garbage In Gospel Out”, ou seja, “Entra lixo, sai verdade.” Isto descreve a tendência que as pessoas têm para simplesmente aceitar os resultados de um sistema sem o julgar de forma crítica. Mesmo que os dados entrados sejam inválidos, temos tendência a acreditar nos resultados, geralmente porque não entendemos bem a forma como o sistema funciona para produzi-los. Este fenômeno é chamado por vezes de fé cega. A entrada de lixo no processo de gestão de risco pode refletir uma falta de objetivos acordados, uma identificação de risco pobre e lenta, ou uma utilização de respostas ao risco inadequadas. Sai verdade implica tratar os resultados como verdadeiros, sem a necessidade de interpretação ou o exercício de juízo.

Existe ainda um terceiro significado para GIGO “Gospel In Garbage Out” ou seja, Entra verdade, sai lixo. Aqui, o sistema recebe bons dados, mas introduz erros ou realiza cálculos erradamente e, portanto produz resultados sem significado. No processo de gestão de risco, muitas vezes isto resulta de escassez de tempo, de atenção, de recursos para executar o processo, da utilização de ferramentas e técnicas inadequadas, ou ainda da falta de aptidões de gestão de risco.

Como evitar então o fenômeno GIGO na gestão de risco? O terceiro caso é talvez o mais fácil de resolver, uma vez que pode ser evitado através da utilização de um processo de gestão de risco robusto e bem pensado, acompanhado de recursos devidamente qualificados e de ferramentas comprovadas. Ambos, Garbage In Garbage Out e Garbage In Gospel Out podem ser rastreados através da aplicação de dois filtros no processo de gestão de risco:

1. Verificar os dados de entrada. Isto implica colocar questões acerca dos dados que alimentam o sistema. São completos? São fiáveis? Estão afetados de pressupostos ou por uma perspectiva limitada? São rigorosos? São relevantes? E o mais importante são verdadeiros?

2. Validar os resultados produzidos. Aqui analisamos os resultados produzidos pelo processo de gestão dos riscos para verificar se fazem sentido. Estarão de acordo com os valores esperados (e senão, porque não)? Serão contra-intuitivos (e se sim, por que)? Pode-se identificar claramente uma tendência a partir de resultados anteriores? Será possível validar estes resultados utilizando abordagens alternativas? Poderemos atuar com confiança, com base nestes resultados? Claro, a verificação não é uma tarefa simples uma vez que as entradas para o processo de gestão de risco são inevitavelmente incertas. Envolve o exercício de juízo subjetivo acerca do que é o risco, quão provável e severo poderá ser, e quais são as respostas mais apropriadas. Ainda, assim devemos assegurar que a qualidade dos dados entrados para o processo é o mais elevada possível. Por outro lado, apesar dos resultados poderem ser por vezes surpreendentemente contra-intuitivos, deverão fazer sempre algum sentido quando o processo de gestão de risco se apresenta robusto. Não devemos recear desafiar pressupostos e testar os resultados antes de utilizá-los como base para decisões e ações.

Assim, verificar as entradas (É verdade?) e validar os resultados (Faz sentido?) pode proteger-nos dos perigos do GIGO. Estes perigos são reais, mas podem ser ultrapassados e, acima de tudo, não nos devem impedir de utilizar a gestão de risco nos nossos projetos e na nossa atividade de negócio.

Afinal de contas, existe algo bem pior que o GIGO que é o NINO (Nothing In Nothing Out), ou seja, Entra Nada, Sai Nada!

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